Falar de uma banda tão icônica como o Barão Vermelho é mexer com gerações. Há quem diga que a melhor fase foi com o Cazuza, com sua poesia niilista e uma forma agressiva de cantar rock n’ roll. Há quem diga (de uma forma quase unânime, talvez não) que a melhor fase é com o Frejat nos vocais, pela longevidade e pela coleção de hits radiofônicos e novelescos (Minha primeira memória com o Barão é nas novelas globais dos anos 00, que toda cena de balada tocava “Puro Êxtase”, e sempre a galera dançava de uma forma desengonçada). E agora temos uma nova fase com o incrível e até subestimado Rodrigo Suricato. Conhecido pela banda Suricato (meio óbvio, talvez não), que despontou no Superstar (programa que revelava novas bandas autorais num dominical de ótimo bom gosto, talvez não) e foi trilha da novela Eta Mundo Bom! com uma música chiclete desgraçada na abertura (sdds daquela sanfoninha ixxperta).
Unindo tudo isso, temos a nova formação com os fundadores Guto Goffi (Bateria) e Maurício Barros (Teclado), o guitarrista Fernando Magalhães (na banda desde 1986) e como disse anteriormente, o novo novato novíssimo Rodrigo Suricato (voz, violão e guitarra). O baixo fica a cargo de Márcio Alencar como músico de apoio.
O álbum Viva! chega trazendo um frescor pra uma banda antológica, meio que tentando provar pra si mesmo que consegue se reinventar mais uma vez, com letras de auto ajuda, amizade e questões delicadas (como depressão e ansiedade), mas tudo isso de uma forma leve e pop (no bom sentido, sempre). E hoje, eu trago minhas impressões e opiniões pra vocês, lindxs leitorxs dx Ideix Erradx (acho que exagerei no xis):

Eu Nunca Estou Só: O novo play do Barão abre com uma introdução linda, no melhor estilo “country/southern rock/durango kid só existe no gibi/pica pau xerife com o Zeca Urubu tomando whisky velho olho vermelho” (sim isso é um gênero musical). Influência clara do Suricato dentro do Barão. Ele entra com uma letra muito bem escrita com toques existencialistas, um piano dando o tom até a entrada de um refrão com uma distorção certeira do Magalhães. Hit pronto, mas em tempos que o pop rock não tem espaço na mídia talvez não será tão celebrada quanto antigos sucessos. Ah! Esqueci de dizer! Essa música tem uma participação incrível do rapper BK’ (se você não conhece ta de chapéu tio) que só agrega na canção. Algo até inusitado se pensarmos que é uma banda com mais de 30 anos de estrada. Que pedrada!

Avaliação: Excelente canção. Uma das melhores do disco. Perfeita abertura.

SEGURA O SWING PARRRRRRRCEIRO

Por onde eu for: A bateria do Guto dá uma viradinha característica dele pra uma entrada com um teclado bem rock n’ roll anos 60. Uma canção bem pop rock, gostosa de ouvir, daquelas que você liga no carro e sai cantando como se não tivesse problemas pra resolver. Com direito a coreografias vergonhosas e tudo (tudo isso no bom sentido gente). Destaque pro drop legal antes do solo, quando volta pro refrão tem um riff legal de bateria. Enfim, deixe a brisa e a voz macia do Suricato cantando sobre amizade levar você também.

Avaliação: Ótima canção.

DEIXA EU ENSAIAR MINHA COREÔ GALERÔ

SAIO CANTANDO ALEGREMENTE SERELEPEMENTE SERELEPE

Jeito: Riff de violão no melhor estilo Zélia Duncan, parece que foi feita pra ela cantar. Letra legal, sobre aceitação pessoal. Refrão ok. Quando a música cresce ela se mostra a cara do Barão, com um solo a lá “Rolling Stones sem preguiça”. Mantém o padrão pop rock gostosinho.

Avaliação: Canção boa.

Tudo por Nós Dois: Guitarra entra com aquela distorção roqueira chamativa. Essa tem muito a cara do Barão clássico. Rock n’roll puro, cru, no melhor que a banda ofereceu ao longo do tempo e mantem o padrão das grandes canções do grupo. Maurício se arrisca no vocal nessa aqui, Aliás, ele tem muito voz de cantor de moto clube sujo. Refrão meia bomba dá um “downgrade” na canção, mas nada que afete a experiência. Alguns momentos me lembra Cachorro Grande. Interlúdios interessantes. Trechos incríveis bem escritos pela dupla dinâmica “Barros/Goffi”

Avaliação: Canção Boa. Refrão mais ou menos.

“Por menos açúcar e menos cigarros
Por menos remédios e menos carros
Por menos invernos e mais calor
Por menos medo e mais amor

Será tudo por nós dois”

Um Dia Igual ao Outro: Piano do Maurício junto com os dedilhados do Suricato dá um tom melancólico, porém soa belíssimo. Dá vontade de tocar naquele piano bar do Lucifer Morningstar (calma xovem cristão, é apenas uma série), tomando um whisky bourbon 12 anos e um cigarro de filtro vermelho (não fumem). Letra reflexiva, voz maravilhosa do amigo do Pumba (que piada merda mermão). Lembra um pouco Oasis esta canção. Harmonia perfeita, solo magistral do Magalhães aqui. Ta aí uma música que eu gostaria de ver ao vivo.

Avaliação: Ótima canção.

Suricato: “cheguei no barão gente”
Público em geral: “FOOOOOOOGO NELE”

Vai ser Melhor Assim: Intro de rock n’roll com uma batera bem pegada. Guto aqui ta em destaque. Refrão divertido. Outra música com a cara da banda, não sinto falta do Frejat, a essência tá no Magalhães/Barros/Goffi que não deixam a qualidade se perder. Confesso que a voz do Rodrigo me lembra o ex-guitarrista/vocalista em alguns momentos. Muitas nuances, palavrões na letra, interlúdio de contrabaixo, riff de teclado diferenciado, viradas maneiras de bateria. Canção completa, outra que deve ser muito benquista ao vivo.

Avaliação: Ótima canção.

Castelos: Maurício vem nos vocais dessa também. Voz embriagada, de quem estava levando uma surra no LOL (Pra quem tem mais de 16 anos e não é virgem, a sigla significa League of Legends) ou foi corneado pela moçoila que era apaixonado (sinônimos de amor é amar, dá no mesmo :P). Letra incrível, fala sobre erros pessoais e superficialidade com as redes sociais. Como ser mais atual que isso? Que tiro certeiro do menino Barros. Tudo se encaixa perfeitamente no arranjo Rock Clássico/Balada Rock. Afinal, essa noite todo mundo pode ser esse cara no bar, cheio de erros e defeitos pedindo redenção. (A não ser que você não beba ou esteja morto, o que é quase a mesma coisa).

“Difícil essa minha vida de pinguço”

A Solidão te Engole Vivo: OKAY, TEMOS A MÚSICA MAIS CHICLETE DO DISCO, esse single saiu bem antes do álbum e foi ele que me deu vontade de ouvir o disco novo com o Suricato. Letra de “Goffi/Barros/Magalhães” falando sobre amizade e solidão e com as melhores frases do disco. É uma paulada lírica, porém te espancando com uma luva (ficou meio masoquista essa parte, mas tudo bem). Dedilhado bacana, refrão MUITO chiclete, ótima melodia, do melhor tipo comercial do Bradesco. Relaxa vovô garoto, tu vai gostar bro. Uma ótima experiência em forma de canção, tem solos legais, tem letra forte, vocal pop, tudo que um grande hit precisa. Mergulhe de cabeça. Se tu ouviu até aqui, seu preconceito com o novo vocalista já deve ter ido embora.

Avaliação: Excelente Canção. A melhor do disco.

REFRÃO CHICLETE MALDITO. Você ta de boa em casa quando (DO NADA) vem na sua cabeça AO LAAAAAAAAAAADO DOS ZAMIGO, EU ESCAPO DE QUALQUER PERIGO…

“Incensa desperdícios
Reinventa precipícios
Te protege e castra
Dessa ninguém escapa
Se for pra levar na cara
Amor e porrada
Que seja de um amigo
Verdadeiro e antigo

Ao lado dos amigos
Eu escapo de qualquer perigo
E se você deixar
A solidão te engole vivo
Se você deixar
A solidão te escolhe um vício

Pra não te Perder: A última música do disco (curto até) vem com a participação da Letrux, que entra divinamente no segundo verso. Porém, a canção entra com um dedilhado de muito bom gosto no violão, letra bonita também, me lembra momentos bons da minha vida, dá vontade de abraçar a minha mãe (okay eu to chorando, é isso que vocês queriam ler??????). Refrão com harmonias que lembram Beatles/Oasis aqui, muito bem escrito. Ótima canção para um dia de chuva, ou de sol. A música é tão boa que ela te leva pra onde você quiser.

Avaliação: Excelente Canção, uma das melhores do disco.

QUE MUSICA BONITA, TO EMOCIONADO GENTE

Esse álbum foi lançado a 2 meses atrás e por mais que grandes mídias como G1, Folha, Tenho Mais Discos que Amigos escreveram e deram um certo destaque pro álbum, a relevância dele ta quase nula neste momento. Um pecado, quase um sacrilégio cometido com esta obra prima que nos é apresentada. Disco curto, direto ao ponto, gostoso de ouvir no dia a dia e que talvez você nem saberia se não fosse a minha insistência de escrever sobre esse novo Barão (na real você nem lembrava que a banda existia que eu to ligado). Espero que continuem na estrada, que mantenham a qualidade (altíssima por sinal) desse primeiro full de inéditas com o novo vocalista, e que não se deixem abalar pelo desânimo geral do público brasileiro com bandas de Pop Rock. Barão é muito maior que isso tudo. Ah, última menção honrosa: Bem vindo ao hall dos grandes nomes do Rock Nacional: Rodrigo Suricato.

Ulisses Avelino
Músico, Compositor, Historiador e Crítico barato nas horas vagas.

Então é isso pessoal, um beijo pra vocês que leram até aqui

Escrevam nos comentários o que você achou desse faixa a faixa.