Primeiras Impressões: Neo The World Ends With You

Primeiras Impressões: Neo The World Ends With You

No já longínquo ano de 2007 foi lançado para Nintendo DS The World Ends With You(abreviado como TWEWY), um dos jogos com gameplay mais único e que utilizava as duas telas do DS de maneira bem inovadora fazendo um gameplay único que levava um tempo até se acostumar mas depois ficava cativante e viciante experimentar todas as diferentes possibilidades de combate.

The World Ends With You é meu jogo favorito do DS, não só o gameplay único feito pro DS quanto a história que difere do padrão para RPG’s me fez gostar muito o original.

O jogo teve ports pra Switch e celulares sem muito sucesso, pelo fato do original ter sido feito completamente pensado nas duas telas do portátil o gameplay não teve uma transição muito boa para outras plataformas, a mágica do gameplay original sumia e ficava uma experiência bem a par do que era o original.

Isso sempre me deixou sem esperanças pra um sequência, principalmente depois que o 3DS foi descontinuado. Afinal, como fazer o gameplay único do primeiro jogo funcionar na nova geração que não dispõe de duas telas?

Mas enfim a Square-Enix anunciou a sequência! Neo The World Ends With You foi anuncado esse ano com lançamento já para 27 de Julho e um demo foi disponibilizado na PSN e Nintendo Online no ultimo dia 25 e assim podemos ter um gosto de como o jogo vai ficar.

Eu joguei essa demo, vamos ver como esta o mais novo filho de Tetsuya Nomura?

 

Nomura sem correntes 

O estilo visual é bem familiar pra quem já esta acostumado com Kingdom Hearts e outras coisas feitas pelo Nomura, mas World Ends With You é o filho do Nomura e só dele, não esta preso em franquias da Disney ou Final Fantasy, então eu vejo ele mais livre pra ir a loucura com o visual, misturando anime, hip-hop e cultura jovem do Japão. Sempre tive minhas ressalvas com alguns exageros dele, mas assim aplicado com liberdade eu acho que Nomura trabalha melhor. Tudo tem muito estilo, é muito vivo, colorido e vibrante.

Faz 14 anos desde o primeiro jogo, então houve uma atualização significativa de visual e linguagem pra demonstrar o elenco de personagens e seus comportamentos. Todo mundo se comunica por um “WhatsApp”, a revolta adolescente de Neku virou uma certa apatia e despreocupação mais coerente com os jovens que já nasceram 100% conectados de hoje em dia.

A demo não mostra muito da história, a premissa é a mesma do primeiro, com o jogo dos Reapers(ou Shinigamis na versão japonesa) em que uma série de objetivos tem que ser cumpridos entre uma série de jogadores divididos em times, se algum time falha, eles morrem.

Mas a trama do primeiro jogo ia além disso, era uma filosofia muito interessante sobre a busca de um propósito pra viver e se sentir parte de algo, espero que essa sequência vá para um lado além do jogo dos reapers também, mesmo sendo mais leve e bem humorada que o jogo original.

De duas telas para uma 

Sem dúvidas o ponto que mais levantava questionamentos para um novo TWEWY era o sistema de batalha, o combate do primeiro jogo foi totalmente planejado para ser jogado em duas telas, controlando dois personagens ao mesmo tempo e como eu já disse a conversão para consoles e celulares não ficou legal, tirando muito do que fazia o combate divertido. Então como adaptariam o combate para a nova geração com uma tela só?

A principal arma de ataque do primeiro jogo permanece aqui, os Pins(broches em PT-BR) que conferem variados poderes psiquicos aos personagens do grupo e permite diferentes estratégias e uma infinidade de formas de ataque, a demo tem até uma quantidade boa de Pins permitindo explorar bastante as possibilidades de combate.

O combate em si faz uma migração do conceito de controlar mais de um personagem ao mesmo tempo do primeiro jogo em duas telas pra você controlar um grupo inteiro pelos Pins equipados em cada personagem. Cada Pin equipado fica designado em um botão, cada Pin tem um método de ataque diferente e é preciso ter uma sincronia entre esses ataques para atacar os inimigos de maneira realmente eficiente, assim fazendo uma barra de tempo aparecer nos inimigos, acertando dentro desse tempo é feito um ataque mais eficiente e uma barra de “Groove” se enche e quando totalmente preenchida você pode entrar em um modo especial que confere mais dano pros seus ataques e um ataque em área especial pra um de seus Pins equipados.

Como no primeiro, o sistema pode parecer um pouco demais pra quem joga pela primeira vez, com muita coisa pra gerenciar ao mesmo tempo, mas se acostuma rápido e quando vê já ta gerenciando tudo bem. O ritmo de combate é rápido, os combates duram pouco e é possível lutar várias vezes em seguida com um sistema de “chain” deixando o jogo bem ágil e sem precisar perder muito tempo com grinding. A dificuldade na demo é travada no Normal, então é tudo bem fácil, se acostumando com o sistema de batalha é possível vencer várias sequências de inimigos sem muitos problemas, mas na demo mesmo já informa que em níveis mais difícieis os inimigos dão Pins melhores, então no jogo completo a dificuldade deve ser algo mais completo e estruturado com o jogo.

No geral eu gostei bem do novo sistema de batalha, conseguiu converter os principais pontos do combate e manteve tudo muito intuitivo e divertido. Na demo não tem equipamentos e só tem 3 membros no grupo quando no jogo final serão 4 então devem ter mais algumas expansões e possibilidades no jogo final, mas pelo que deu pra ver na demo esta tudo muito bom.

Broches já são algo fora de moda mas é o que tem pra colocar no jogo.

Shibuya Style

E se vc se vestisse como um cosplay todo dia?

Uma das características mais marcantes do primeiro jogo era todo o estilo que tinha, mostrando a cultura de Shibuya, com um traço anime bem estilizado, trilha sonora misturando Hip-Hop e J-Pop e personagens com roupas muito chamativas e coloridas.

A sequência seguiu bem esse mesmo estilo dando uma atualizada para os novos tempos, a trilha sonora tem um pouco mais de hard rock no meio deixando o pacote geral um pouco mais pesado e agitado do que o primeiro jogo, a música de abertura principalmente é uma grande salada de estilos músicais.

A principal diferença parece ser no tom da história, enquanto no primeiro jogo Neku começa revoltado e em dúvidas sobre o por que ele vive, o no protagonista, Rindo, é bem mais de boa e até encara o fato de estar em um jogo de vida ou morte de maneira bem leve e com um amigo desde o começo, Fret, que faz o papel de piadista do jogo, soltando piadinhas infames a todo momento o jogo tem um clima inicial mais leve e descontraído do que o primeiro jogo.

Na demo mais um personagem completa o grupo, Sho Minaminoto, até agora o único personagem revelado que retorna do primeiro jogo, um dos Reapers que agora é participante do jogo de morte por algum motivo. Sho era o mais escandâloso dos Reapers e isso se mantêm nesse jogo, deixando o grupo como um todo ainda mais barulhento que era no primeiro. Ainda tem mais uma personagem que não esta nessa demo, então a dinâmica mesmo dos personagens vai ficar pro jogo completo.

No geral eu curti o estilo novo, atualizou bem os conceitos visuais do primeiro jogo para a cultura jovem do Japão nos novos tempos e ainda manteve esse clima diferente que TWEWY tem.

Mas ele não ta rindo! HA HA HA HA HA

Conclusão

Eu gostei da demo mais do que esperava, o que mais me preocupava que era o sistema de batalha foi bem convertido pra nova geração, ficando rápido e inovador como foi o do jogo original.

Eu tenho muitas criticas ao estilo do Nomura de fazer jogos, mas eu realmente gosto de ver ele em um jogo sem o peso de uma grande franquia ou direitos autoriais de gigantes do entretenimento, talvez por isso mesmo eu goste tanto do primeiro jogo, é a criatividade pura de um produtor sem maiores obrigações e a demo ao que parece vai entregar algo nestes mesmos moldes.

Quando sair o jogo completo eu jogarei assim que puder(por que 200 reais num joguinho é foda!) e farei a avaliação aqui. Até lá!

 

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