Happy Gilmore 2 é propaganda conservadora para jovens

Happy Gilmore 2 é propaganda conservadora para jovens

Todo mundo sabe que o top 3 filmes do Adam Sandler são: Um Maluco no Golfe, Little Nick e Zohan. Por esse motivo eu realmente fui assistir a continuação de Um Maluco no Golfe com uma certa expectativa – certamente causada por uma memória afetiva.

Infelizmente o filme é mais um bait dos tantos feitos pela indústria do cinema atualmente – continuações que ninguém pediu, de obras que ninguém pediu, voltadas para o público nostálgico millenial comedor de morango do amor e colecionador de labubu. A primeira coisa que me veio à mente foi a continuação do filme Os Fantasmas se Divertem Os Fantasmas Ainda se Divertem (que título incrível).

Para aqueles com a sorte de nunca terem visto tal filme, o ponto principal dele é replicar, se apoiar e revisitar o primeiro filme. A todo momento temos referências de causos e personagens do primeiro filme, tudo para dar aquela sensação vergonhosa de “olha lá! eu entendi essa referência!” Um Maluco no Golfe 2 (o inimigo agora é outro) não foge disso. Todo o tempo o filme nos mostra cenas em flashback do primeiro filme, ele revisita personagens do primeiro fazendo a redenção de alguns e recontextualizando novos, tudo na forma de novamente tentar pescar o público pela nostalgia.

Mas o filme não basta ser vergonhoso por si só, ele carrega em si uma mensagem problemática que não tem mais espaço nos dias de hoje. Basicamente o plot do filme é o Adam Sandler salvando o “””esporte””” golf tradicional das mãos de um jovem adolescente dinâmico que quer tiktokizar o golf. Uma mensagem moralista de que o antigo e tradicional é melhor do que o novo e revolucionário. Lembrou um pouco o famoso Dodgeball 2. Resumidamente, o enredo compara o tradicional golf, onde 400 cabeças devem ficar em silêncio, paradas observando um zé acertar uma bolinha, com o inovador formato onde os atletas podem fazer mudanças genéticas, utilizar poderzinho e seguir percursos perigosos em diferentes ambientes.

O problema principal de tentar passar essa mensagem conservadora para os jovens a partir de um filme desses é que o público não vai ter as referências nas quais ele se embasa pra fazer o “humor”. Eles vão atingir basicamente os millenials, que nesse ponto já decidiram ser ou não conservadores ou liberais.

Escrevendo e refletindo que a ideia do “vilão” do filme era transformar o golfe em algo que seria basicamente fut-7 daquele esporte fez eu me ressentir de tudo que escrevi e todas as críticas que fiz, tô do lado do Adam Sandler mesmo.

 

Matheos

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