Guia prático pra iniciantes em 007 (parte 3 – Final)

Guia prático pra iniciantes em 007 (parte 3 – Final)

Após o fiasco de  “Um Novo Dia Para Morrer”, o segundo momento da franquia em que a família Brócolis olhou para aquilo e pensou: “mano, fomos longe demais” (o primeiro foi quando 007 foi pro Espaço em “Foguete da Morte”) era hora de sentar e repensar pra onde eles queriam levar 007 pelo século XXI, e pelo visto massavéio despirocado não era o que as pessoas queriam ver naquele momento.
Novamente, ouvindo as tendências do mercado a EoN deve ter notado o sucesso de “Identidade Bourne” que apresentava um novo tipo de espião, extremamente violento e pé no chão, o filme saiu no mesmo ano que Die Another Day e enquanto Bond era criticado por surfar em Tsunamis, Bourne caiu no gosto pupular e no da crítica especializada, com sua porradaria crua e suas perseguições insanas cheias de Le Parkor, a mensagem era clara: o realismo parecia ser a nova regra do cinema de ação para toda a década seguinte, o que meio que se confirmou com os Batmans do Nolan que começaram a sair na mesma época e tbm viraram tendência.

Mas não bastava só chupinhar as fórmulas que funcionavam, 007 não sobrevive só de acompanhar modismos (o que ironicamente é exatamente o que os filmes flopados da franquia ensinavam) sim, 007 precisava ser reinventado mas ao mesmo tempo também teria que voltar às origens, afinal depois de tantas encarnações boas e regulares e aventuras sérias e vulgares,  querendo ou não a imagem do personagem se desgasta, e de tempos em tempos  era preciso relembrar do personagem original de Ian Flamming que deu início à tudo isso, e qual seria a melhor forma de fazer esse resgate, senão depois de tantos filmes com tramas originais, ir atrás daquele único livro que e o falecido Albert Brocole nunca tinha conseguido adaptar?

Cassino Royale!

Era Craig

2006 – 2021

5 filmes:

Casino Royale, Quantum of Solace, Skyfall, Spectre , No Time to Die

Craig é o representante máximo da classe dos “galãs feios”, cara de pedreiro mas com um corpo de Adônis esculpido na academia a ponto das mulheres literalmente quererem lamber, O homem trouxe de volta o charme rústico que outrora era uma exclusividade de Sean Conney

Eu disse: LITERALMENTE

Um perfil que claramente destoa do padrão “Sugar Daddy” de Brosnan, em outros tempos, um ator como ele provavelmente seria escalado pra ser um capanga do vilão da vez (como Dulph Ludgren fazendo uma ponta em View to a Kill) mas para que a proposta de verossimilhança que a franquia abraçou, Craig nos apresenta exatamente a aparência física que um assassino super treinado em combate deveria ter, e independente disso, ele ainda fica melhor num terno slim do que você!
E os produtores SABEM disto, e não tentam lutar contra, pelo contrário: assumem como uma forma genial de desconstrução! um bom comparativo: enquanto Brosnan em seu último filme após fugir do cativeiro entra todo maltrapilho num hotel e ainda assim é bem recebido por conta de sua pose inquestionável e finesse, Craig bem arrumado em Cassino Royale, pára pra amarrar os sapatos na porta de outro hotel e já é confundido com um Chofer! (eu lembro de ter lido muuuito fã purista dando chilique por causa dessa cena no falecido Orkut), o que pouca gente lembra é que Bond bate o carro do cara pra criar uma distração e mais tarde dentro do Hotel dá um sorrisinho todo debochado pro dono do veículo que o reconhece e fica sem graça. toda essa sequência manda um recado aos puristas: “só esperem, ele vai chegar lá e dar o troco!”

Outra sequência que descabelou fãs no mesmo filme foi quando Bond (puto com os problemas na missão) manda o barman preparar sua vódica com martine “do jeito que ele quisesse” (em vez de fazer questão de que fosse “batido e não mexido”, que é o seu bordão clássico) todas essas passagens são exemplos de uma abordagem totalmente nova e ousada que visava chutar o balde completamente, mas não para RENEGAR a mitologia do personagem, mas para desconstrui-la e depois revitalizá-la, Craig pode até não ser reconhecido como Bond a primeira vista, mas prq ele está comendo o pão que o diabo amassou para ter o seu devido reconhecimento como tal! não é a toa que o momento em que Craig vira para um vilão e se apresenta como “Bond, James Bond” pela primeira vez é guardado pra ser justamente a última cena de “Cassino”

cêis vão ter que me engolir!

A Era Craig como muitos já devem saber é um reboot, a ideia é ignorar tudo que veio antes e encarar como uma nova jornada sem ligação com nenhum dos filmes anteriores à Cassino, cuja trama inclusive tanto no livro quanto no filme de 2006, é apresentada como a PRIMEIRA missão de 007, recém promovido ao posto de 00 (agentes com permissão para matar).
MAAAAS não é tão simples assim, e as vezes tem algumas pequenas inconsistências que deixam isso confuso ou no mínimo meio nebuloso, a primeira coisa que levanta questões é a presença de Judi Dench como M, papel que ela já desempenhava desde Goldeneye (o primeiro filme da era Brosnan) então… Cassino É OU NÃO a primeira aventura de 007?
Isso dai até levantou umas teorias (TOSCAS na minha opinião) de que na realidade cada ator seria um personagem diferente, e “James Bond” seria só um nome falso para todos que assumem o posto de 007… não jovem mancebos, mesmo com as incongruências de continuidade, há provas de que todos os Bonds são um personagem só!
A resposta na verdade é bem simples: é sim um reboot, mas tanto os produtores quanto os fãs gostavam da atriz, então… trouxeram de volta e fodasse a lógica!

O estilo dos filmes é um retorno à seriedade como já mencionamos, temos novamente histórias cruas e pé no chão, um Bond mais violento, revoltado, mas também mais vulnerável, que sangra, sua, suja o terno, mas também pode se desesperar, chorar e demonstrar um lado humanizado…

pera, pera, pera… tô tendo um dejavu aqui

todas essas são características eu já tinha apontado pra ERA DALTON! seria o Craig um copião do Timoth Dalton, e esse mérito de Bond realista e brucutu na realidade é só dele?

bom, não é bem assim, Craig e os produtores se inspiram muito sim em Connery e Dalton pra retomar essa concepção mais rústica e humanizada do personagem, mas definitivamente o “tempero” de Craig aqui faz toda a diferença

pra começar que tudo com Craig é mais intenso, sim, Dalton se sujava, se machucava, perdia a compostura… mas Craig SE ARREBENTA de verdade em combate, ele tá sempre com algum corte na cara, mal cicatrizou um e já tem outro, o cara apanha, é torturado, baleado (mais de uma vez em um único filme) e só não se estrupia mais do que OS CARAS EM QUE ELE METE PORRADA!

Vai tomá um banho Craig

Outro fator determinante para tornar a Era Craig algo único e inovador é a própria estrutura das tramas, as histórias passam a ser muito mais dramáticas e intimistas, algo que cria muito mais identificação com o expectador, temos Bond se apaixonando, tendo o coração partido, aliados sendo mortos, traições, vinganças pessoais… e apesar de sim, já termos visto TUDO ISSO durante a franquia, com exceção talvez apenas de “A Serviço Secreto…” e “Permissão para Matar” os dramas pessoais de Bond raramente tinham grande influência nas missões, quando este tipo de elemento era inserido, era só pra dar um gostinho a mais pra uma história formulaica que raramente queria mexer no status quo, normalmente, independente da reviravolta que o filme mostrasse não causava qualquer comoção (afinal, nada daquilo importaria no filme seguinte), com Craig não, salvar o mundo é secundário, as tramas não só tem continuidade como Bond nunca passa totalmente ileso por elas (e não falo só das feridas físicas)

Não é a toa que mesmo com seus altos e baixos (qualquer era com mais de 2 filmes acaba tendo bons e maus momentos) o saldo geral é extremamente positivo entre público e crítica, Craig deixou sua marca e já é considerado um Bond clássico!

Pontos Negativos

ainda que sendo a era mais consistente em qualidade e temática, Craig não está isento de problemas, alguns deles estão com alguns filmes específicos em si: Quantum of Solace que sofreu com a greve dos roteiristas, e é meio que um filme sobre porra nenhuma (e só vai fazer uma pontezinha com o drama principal no epílogo, podendo quase ser pulado) e Spectre, que marcaria o retorno aos tempos modernos de BLOFELD e.. a organização Spectre (dãh) mas que acaba sendo um tanto decepcionante, já que não só queima elementos tão clássicos e amados pelos fãs num filme meio morno, como ainda faz questão de cagar com a construção de universo que tava tento ali, pois diferente da primeira introdução de Spectre e Blofeld nos filmes clássicos (executada gradativamente por vários filmes) aqui eles só metem esses elementos ali, e ainda com uns plottwists e retcons forçadíssimos porcamente amarrados com revelações dignas de novela mexicana, Blofeld agora é irmão postiço de Bond, e tudo, veja bem, eu disse TUDO de desgraça na vida de Bond é obra da Spectre (até a vingança do Silva que obviamente era algo pessoal)

“Olá Djaimes… I’M YOUR BROTHER!

Mas um problema geral (um pouco menor, mas que incomoda) é o descaso pontual que os produtores tem com a continuidade, e em decidir se Craig é ou não um Bond novo que só tá trabalhando no MI6 desde 2006, prq é isso que Cassino quer vender, mas em Skyfall (que é um dos bons filmes) eles tratam o Craig o tempo todo como um veterano, mas não só isso, como o MESMO Bond desde 1962… como eu disse a respeito da M, se for pra fazer algo legal, um fanservice bem feitinho (especialmente se lembrar que era um filme lançado numa data comemorativa da franquia), a gente faz vista grossa, mas não seria ruim se eles fossem mais cuidadosos com essas incoerências no próximo Bond, senão, assume logo um Multiverso onde todas as aventuras aconteceram com todos os 007 mas em épocas diferentes (inclusive é a ideia usada no jogo 007 – Legends, fica aí a indicação)

-“Ouvi dizer que tu tem 50 anos de carreira”
-“TNC moleque, só tem 6 anos que eu tô aqui”

Resumão de cada filme

Como prometido, pra deixar o Guia ainda mais completo, vou colocar uma Sinopse rápida de cada filme pra ajudar você que NUNCA viu qualquer filme, ou qualquer filme além dos do Craig, a conhecer mais a franquia, sem precisar sentar e maratonar tudo na ordem (se obrigando a passar pelos que possivelmente iria achar ruim)

Connery /Lazenby:


Primeiro biquíni do cinema

Dr. No (1962)  em “007 contra o Satânico Dr. No” (sim, essa merda aí é o título brazuca, o cara virou emissário de satan) Bond vai à jamaica investigar o desaparecimento de um agente do MI6, ele descobre que ele estava no encalço do Dr. No, um cientista chinês que quer atrapalhar o programa espacial americano

From Russia with Love (1963) em “CAPITAL DA RUSSIA contra 007” somos apresentados pela primeira vez à Spectre, descobrimos que Dr No era um de seus agentes, e agora eles pretendem se vingar do agente inglês por ter matado o china no primeiro filme (spoiler?) o Nº1 (que a gente já sabe que é Blofeld) manda sua agente nº3 (uma véia assassina mal encarada) treinar uma mocinha russa pra seduzir Bond e dar cabo de sua vida numa missão conjunta

Goldfinger (1964) em Goldfinger Bond encontra com um gordola alemão com nome que dá título à película, e o cara, que tem tara em ouro quer roubar o Fort Knox, filme que mais tem cenas icônicas, como a aliada de Bond que aparece morta coberta de ouro, e a do laser programado pra queimar as bolas do espião

Thunderball (1965) retorno da Spectre, que dessa vez rouba umas ogivas nucleares e chantageia os EUA a lhe pagar uma porrada de grana pra não explodi-las, por isso o nome aqui ficou “007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA” (olha só, não gosto tanto de títulos óbvios, mas dado o histórico da franquia esse é possivelmente a melhor tradução que já fizeram) filme que mais teve tretas com direitos autorais, e a frente vou dizer o prq.

You Only Live Twice (1967) Bond abre o filme forjando a morte pra poder ter sossego e se focar em blofeld e na Spectre (por isso o título “só se vive duas vezes) dai a Spectre apronta mais uma, e sequestra em pleno espaço um módulo espacial tripulado, botando a culpa nos Soviéticos e criando um clima de tensão que pode desencadear na 3º guerra mundial! primeiro filme em que Blofeld revela seu rosto, tbm o primeiro que os vilões tem uma base escalafobética (no caso, escondida num vulcão)

On Her Majesty’s Secret Service‘ (1969) Bond (que agora é o Lazenby) continua atrás do Blofeld, que agora contaminou várias moças bonitas, afim de soltar elas pelo mundo e espalhar uma praga, a única chance é conseguir informação com um chefe da Mafia, só tem um problema: ele quer que Bond se case com sua filha, uma moça que na abertura do filme Bond salva do suicídio

Diamonds Are Forever (1971) Connery volta, e tá tão puto da vida que já mata o Blofeld no começo do filme… maaas, após seguir a trilha de um contrabando de diamantes, ele descobre que Blofeld ainda estava vivo (Bond matou só um sósia) e que ele pretende usar os diamantes para construir um satélite que pode lançar um laser destrutivo em qualquer lugar do mundo (guarde esse plot prq satélite com laser ainda vai voltar mais vezes nessa franquia)

Roger Moore:

Live and Let Die (1973) Estreia de Moore, na trama, 3 espiões do MI6 são mortos em lugares diferentes, mas no mesmo dia, Bond é mandado pra investigar e descobre que eles estavam prestes a descobrir um grande cartel de drogas com produção numa ilha do Caribe e distribuição em solo Americano, Bond acredita que o barão das Drogas que chefia o esquema e Kananga (um embaixador de uma dessas ilhas) sejam a mesma pessoa, o diferencial do filme é o acréscimo do elemento sobrenatural, já que Kananga acredita em Vodu e o usa como proteção pros negócios (tendo inclusive como capanga o Barão Samedi, um famoso encosto da cultura Haitiana), filme fortemente inspirado pelo Blaxpoitation o que pra época pode ter sido com boas intenções de homenagem, mas hoje pode soar  meio racista

The Man with the Golden Gun (1974) “007 contra o Homem com a pistola de ouro” é sobre… 007 enfrentando um homem… com uma pistola de ouro (durp) nah, eu não quero só fazer graça, é uma das tramas mais fraquinhas tanto no livro quanto no filme, literalmente é só um duelo que Saramanga (Christopher Lee) propõe ao “maior agente secreto do mundo” em sua ilha particular afim de se desafiar, poderia render uma boa história esse desafio mais intimista, mas o filme realmente é muito “Nada acontece feijoada”, de relevante só que… é com o Lee (que é sempre incrível) e ele tem como capanga o Tatoo da Ilha da Fantasia

The Spy Who Loved Me (1977) em “O Espião que me Amava” Submarinos Nucleares Soviéticos e Britânicos começam a desaparecer no mar, dai o serviço secreto de ambos os países resolvem dar uma trégua em plena Guerra Fria e cooperar para descobrir o que houve, mandando cada um, seu melhor agente (Bond e a agente russa Amasova) só que como os agentes deles não tavam sabendo de nada, Bond tinha acabado de matar um cara russo que tbm tava tentando matá-lo, depois de aceita a missão, Bond e Amasova investigam as mesmas pistas, hora como rivais, e mais tarde como aliados,  eles chegam à um ricaço tarado por oceano chamado Stromberg, que construiu uma base no meio do oceano, manteve os submarinos e tripulação ali, com intenção de usar as ogivas pra destruir o mundo e recomeçar com a humanidade em seu paraíso “Watherworld”

ah, e sabe o cara que Bond matou no começo do filme prq sim? era o namorado de Amasova, será que isso vai dar merda?

Moonraker (1979) “007 contra o Foguete da Morte” como já falado nos artigos anteriores, é o filme do “Bond no espaço”, mas tbm é o filme do “Bond no BRASIL!” a trama é um “copia e cola” de Espião que me Amava, só que sem o lance da guerra fria, e trocando o mar pelo espaço: Hugo Drax, um respeitado cientista espacial tem um de seus ônibus espaciais roubado, Bond é encarregado de investigar, mas logo percebemos que o próprio Drax extraviou a aeronave pra um projeto sórdido: levar vários casais saudáveis pra uma estação espacial pra procriar, enquanto ele manda bombas com um vírus mortal pra terra, afim de começar uma nova raça superior e um novo gênese Evangelion

For Your Eyes Only (1981) em “Somente para seus olhos”, um navio espião disfarçado de navio pesqueiro é afundado, um perigoso computador de bordo controlador de mísseis estava na embarcação e sabendo disso, o MI6 contata um especialista Oceanográfico para ir com um submarino e recuperá-lo, mas antes que isso ocorresse, ele é morto por uma organização interessada no aparelho, a filha dele sobrevive ao ataque e jura vingança, ela e Bond vão atrás dos responsáveis… (perceba que depois de toda a farofada no espaço essa trama ficou beeem mais pé no chão né?)

Filme em que resolvem lembrar que Blofeld existe, só pra Moore dar cabo dele de um jeito bem rápido e tosco

Octopussy (1983) em “007 Contra 8 Xavascas” temos o roubo de um  Ovo Fabergé , um General Russo que quer explodir uma bomba atômica em Berlin e Um Principe Afegão que quer matar Octopussy (uma chefona do crime organizado do qual Bond é bem “chegado” e resolve protegê-la) e eu, sinceramente não faço ideia do prq disso tudo tá rolando e nem de como tudo se liga

A View to a Kill (1985) “Na Mira dos Assassinos” nos apresenta Max Zorin (Christopher Walken, sempre do caralho) um barão da indústria de microships que planeja explodir um lençol de água subterrâneo afim de inundar o vale do cilício para ter o monopólio total da indústria mesmo que ao preço de muitas vidas

Timothy Dalton

The Living Daylights (1987) em “Marcado para Morte” (ô titulozinho genérico, tem algum filme onde ele não esteja?) Bond é incumbido de ajudar Koskov, um General russo desertor a fugir da cortina de ferro, uma garota aparece na janela com um rifle, aparentemente para executá-lo, Bond sentindo que algo está errado (leia-se: “achou ela gostosa”) apenas lhe dá um susto e consegue resgatar o general sem matar a moça.
De volta ao MI6, Koskov fala que uma antiga prática da KGB chamada “Morte aos espiões” foi reativada, e alguns colegas de Bond inclusive já foram mortos, para impedir mais derramamento de sangue, Bond é enviado pra matar o suposto general que havia reativado o programa, General Leonid Pushkin, sujeito que Bond conhecia e ele não achava capaz disto, pra deixar tudo ainda mais suspeito, Bond encontra a suposta atiradora, e a moça é apenas uma Violoncelista que nunca pegou numa arma na vida, e tinha sido enganada pra servir de bode expiatório, então eles se juntam pra ver qual é a de Koskov

Licence to Kill  (1989) em “Permissão para Matar” Felix Leiter, agente Americano e grande amigo pessoal de Bond DESDE O PRIMEIRO FILME, está se casando, mas no caminho do casamento eles dão uma paradinha pra apanhar Fran Sanchez, O MAIOR TRAFICANTE DAS AMERICAS e ainda conseguem chegar a tempo da cerimônia… mas a felicidade do casal dura pouco, e antes da Lua de Mel, Sanchez escapa após comprar uns agentes americanos, e como retaliação mata a esposa de Felix, e o joga aos Tubarões, Felix sobrevive mais perde uma perna, embebido em ódio Bond resolve investigar e sabe que é obra do narcotraficante, mas o MI6 o manda se afastar do caso, Bond renuncia ao MI6, foge (pois sem a licença 00 tecnicamente ele está agindo contra a lei) e continua sua trajetória de vingança

Brosnan

GoldenEye(1995) Ainda no finalzinho da guerra fria, Bond e o agente 006, Alec Trevelyan (um amigo de Bond) invadem uma base soviética produtora de armas químicas afim de destruí-la,  a missão é bem sucedida, mas Ourumov, o militar que chefiava a fábrica mata Trevelyan e escapa de boas, 9 anos depois bond tem a chance de se encontrar de novo com Ourumov (agora General) quando este parece estar envolvido no roubo de um super helicóptero ultra tecnológico e na destruição de uma base militar russa, Bond suspeita que um satélite com raio de pulso eletromagnético chamado Goldeneye foi utilizado no ataque, sua existência era só um boato, mas além do ataque apresentar indícios de ser obra da arma, destruir a própria base de controle do satélite sumiria com as provas de que ele existe, de que Ourumov pode usá-lo e deixaria a arma ativa para futuros ataques, por fim, o helicóptero encaixaria como veículo de fuga perfeito, já que ele era projetado para não sofrer danos com pulsos magnéticos, Bond não tem como ligar todos estes pontos, mas uma programadora russa chamada Natalya sobrevive ao ataque, e seu testemunho pode provar o envolvimento de Ourumov

Tomorrow Never Dies (1997) Bond encontra um grande barão da imprensa chamado Elliot Carver, dono de um jornal extremamente prestigiado chamado “Amanhã” que fabrica notícias para poder ter exclusividade (filme visionário sobre fake news) Carver quer provocar China e Inglaterra para eles entrarem em conflito e estourar a 3º guerra mundial (de novo isso?) e assim ter o controle absoluto sobre a cobertura do conflito

The World Is Not Enough (2000) Um grande Magnata do petróleo é assassinado, e Bond é mandado pra proteger sua filha, que parece ser alvo de um perverso terrorista chamado “Renard”, homem que já sequestrou a moça no passado e durante o resgate o MI6 tentou matar enfiando uma bala em sua cabeça, mas Renard sobreviveu e agora a bala alojada no crânio o inibe de sentir dor tornando-o um adversário ainda pior

Die Another Day (2002) depois de se meter com os filhos de um importante general norte coreano, matar um deles jogando de uma cachoeira (Coronel Moon) e deixar o outro (Zao) desfigurado com a cara cheia de diamantes (prq Bond explodiu a mala de contrabando na cara dele) Bond é capturado por este general, e passa 6 meses sendo torturado na terra do Kim Jon Il, temendo que Bond vazasse segredos eles fazem uma troca, e entregam Zao, Bond é suspenso por M por suspeita de traição, pra limpar seu nome e se vingar de Zao, Bond ignora as ordens do MI6 (eita, de novo?) e começa a investigar sozinho, ele descobre uma relação sórdida entre Zao e um almofadinha britânico que pretende usar diamantes para… montar um satélite com uma arma laser capaz de destruir qualquer alvo militar (PERAI DE NOVO?), dai Bond descobre que Gustav na verdade era o Coronel Moon que ele achava que tinha liquidado mas fez uma operação de mudança de etnia

Craig

Casino Royale (2006) esquece tudo que viu até aqui, Bond acabou de ser promovido à 00 após matar um oficial corrupto do MI6, sua primeira missão agora é impedir Le Chiffre de ganhar dinheiro com apostas no Cassino Royale de Monte Carlo, Le Chiffre é uma espécie de banqueiro dos terroristas e é um gênio das apostas, mas está endividado e está tentando recuperar seu dinheiro APOSTANDO a grana de seus investidores criminosos, a ideia e colocar Bond no jogo e fazer Le Chiffre perder, para assim ficar encurralado e entregar o nome de seus investidores em troca de proteção

Quantum of Solace (2008) interrogando um bandido capturado no finalzinho de Cassino, Bond fica sabendo da organização Quantum, uma fodendo organização que CONTROLA TUDO E TODOS, e tem agentes em TODO LUGAR… (isso pelo menos até Spectre voltar e se apresentar como uma organização que faz EXATAMENTE A MESMA COISA) Bond enfrenta agora o Agostinho Carrara que é um empresário membro da organização, que planeja dar um golpe na Bolívia pra controlar o fornecimento de água

Skyfall (2012) Depois de um ataque ao prédio do MI6 Bond, que se pensava estar morto por um tiro acidental dado pela Moneypenny (que nesse reboot era agente de campo) retorna pro trabalho ainda que meio puto e magoado (já que tal tiro que quase lhe custou a vida foi ordenado por M que não pensou tanto na sua segurança)  agora o Agente cansado e ferido se defronta com Silva: um Ex-agente do Mi6 que quer uma vingança pessoal contra a M, por ela tê-lo abandonado para a morte ao ter sido capturado no passado, Silva foi torturado e tentou suicídio, mas sobreviveu com danos físicos e psicológicos, e agora vai usar todo o seu conhecimento como agente secreto e aproveitar o conhecimento sobre as fraquezas do MI6 para atacá-lo diretamente e se livrar da senhorinha

Filme mais pessoal e intimista da série, a relação de Bond com M (e a relação de amor e ódio dela com seus agentes) realmente nunca tinha sido tão aprofundada e tão bem trabalhada

Spectre (2015) o Serviço Secreto como conhecemos está no seu fim, M luta para manter vivo o MI6 num mundo em que tudo é feito por computadores, logo, na visão dos burocratas, agentes de campo estarão cada vez mais obsoletos, enquanto isso Bond se defronta com Blofeld, o cabeça por trás da organização Spectre (que agora com o Retcom é a verdadeira fodona da bagaça, e não a Quantum) um homem que aparentemente conhece Bond desde a infância e diz estar por trás de tudo que vimos de Cassino té aqui (como eu não sei) se Bond ganhou uma fechado no transito, ou ficou sem papel no banheiro, tenha certeza: BLOFELD QUIS ASSIM E ESTAVA GARGALHANDO COM ISTO!

No Time to Die (2021) Sei lá mano, vai no cinema assistir

Os dois 007 “bastardos”

Apesar da família Brócolis e sua empresa EoN serem donos de praticamente toda a franquia 007, dois títulos lhes escaparam e lhe causaram muita dor de cabeça, pois Ian Flemming já havia vendido os direitos de 2 livros para outros produtores antes da EoN chegar e passar o rodo no resto dos livros, resultado: dois filmes não oficiais feitos meio que na pirraça só pra concorrer com a franquia principal

Cassino Royale (1967)

Este filme  pode ser resumido com uma única frase: um puta puteiro do caralho!
Não conseguindo fazer um acordo com a EoN, nem trazer Sean Connery para seu filme, Charles K. Felfman (o dono dos direitos de Cassino na época) resolveu chutar o pau da barraca e fazer uma paródia megalomaníaca que pouco ou nada tinha a ver com a trama do livro de Flemming, e reunia um elenco e produção cheio de grandes nomes do cinema (Wood Allen, Peter Sellers, Orson Welles) e aloprou no experimentalismo colocando trocentos diretores e equipes separadas fazendo uma coisa diferente a cada dia de produção! o resultado é uma comédia colorida e pastelona extremamente ESTRANHA e surrealista cujo fiapo de história mal se costura, algo que vale conferir pela curiosidade, e só

Frame REAL dessa bagaceira

Nunca Mais Outra Vez (1983)

Kevin McClory foi o segundo produtor sortudo que tinha um título em mãos e usou isso pra impor algumas exigências à família Brócolis, o livro que ele possuía era “Thunderball”, e de fato (como você deve presumir) diferente do Feldman ele conseguiu fazer um acordo com a EoN e produziu um filme oficial junto deles, mas com uma condição inusitada: produzir seu próprio Thunderball sozinho do jeito que desse na telha após 10 anos de lançamento do filme da EoN… e… depois, um pouco mais tarde que isso FOI EXATAMENTE O QUE ELE FEZ!
logo, “Nunca Mais outra Vez” é exatamente isso que ele prometeu: um remake escarrado de Thunderball, mas com o Connery mais véio (e muitas piadas em cima disso) Kim Basinger de Bondgirl e o Mister Bean fazendo graça!

o título ao pé da letra (“nunca mais dica nunca” ou “nunca diga nunca de novo”) é um deboche em cima do fato do Connery voltar pro papel pela segunda vez mesmo tendo dito em ambas as vezes que NUNCA MAIS FARIA 007

e só pra alfinetar ainda mais a EoN, o filme tbm traz de volta o Bloffeld (que haviam acabado de matar em Only For Your Eyes)

E é isso meus queridinhos, espero que quem tenha se dado ao trabalho de ler, se interesse e vá atrás de alguns desses filmes velhos, tem muita trasheira datada, mas garanto que tbm tem muita coisa legal, te convido para esta aventura

 

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